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domingo, 3 de abril de 2011

E o brilho das estrelas?


Já não é mais 1/3
Sim metade de um inteiro.
Isso é maravilhoso.
Paradoxal.
Ela acende um incenso de "espiritualidade"
pra abafar o cheiro de erva do horizontal.
Isso a machuca.
Tenta estender a mão, mas ninguém vê,
ou será que ela não sabe como estender?
É apenas impotente, mesmo sem querer.
Fora do centro.
Não consegue entender o que vê.
Tem dias que as estrelas não estão no céu.
Há dias em que tudo parece escuro.
E mesmo com toda felicidade do mundo.
Elas não brilham como deveria.
Olham pra ela de longe,
zombam dela.
E ela não consegue ver agora,
só pode sentir
o brilho delas
o intenso e vivo brilho das estrelas.
Simplesmente desaparece.
E como uma fagulha no céu,
surge um olhar pouco confiante.
Onde estão todas maneiras espertas de ser?!
Pra onde elas vão quando tudo fica escuro?
E a menina dos olhos brilha ainda mais
cheia de cristais de água salgada,
Lágrimas jogadas.
Lágrimas sem sentido.
Indesejadas.
É irreverente e injusto.
Um preço que se paga por viver
intensamente.
O preço do radicalismo,
Da intensidade.
O excesso de amor,
Da postura dos desejos.
Incuráveis,
insaciáveis.
Precisa-se de mais controle,
Longe dele isso tudo é ainda mais difícil.
O libido e o frio.
A água que cai mansa sobre os cabelos,
quente e macia ela escorre,
desliza sobre cada parte de sua existência.
Não tem mais ações.
Está fraca e sem energia,
Tudo escorre num efêmero feixe de luz,
transforma-se em penumbra.
Ela esqueceu como se faz para brilhar.
E esquece as vezes.
Quem mora no céu de verdade.

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